Revista

Comunicação não violenta | Como ela pode melhorar o seu casamento

Entenda mais sobre a comunicação não violenta, um conceito que estimula o diálogo, a comunicação e a empatia no matrimônio

O estresse do dia a dia pode levar muitos casais a enfrentar conflitos em casa. Nesse sentido, o conceito de comunicação não violenta surge como alternativa para desenvolver relacionamentos mais sinceros, harmoniosos e duradouros.

Comunicação não violenta

Foto: Karina Maks

Vamos conversar?

O termo comunicação não violenta (CNV) foi criado pelo psicólogo americano Marshall Bertram Rosenberg (1934 – 2015). Alvo de bullying durante a infância, ele decidiu dedicar a vida adulta ao estudo do comportamento humano violento em vários contextos sociais. O especialista estudou o que estimulava a agressividade e criou esse processo de comunicação para ajudar as pessoas a resolver conflitos de forma pacífica.

Na prática, a comunicação não violenta é a habilidade de se comunicar de maneira mais assertiva e menos hostil. De acordo com a psicóloga e palestrante Ellen Moraes Senra, o conceito está ligado à dinâmica de que, mesmo quando há discordância entre os parceiros, as mensagens precisam ser transmitidas sem agressividade, para que não se tornem um convite para o embate.

“Quando se firma um compromisso de matrimônio com alguém, a união deve ter moldes democráticos, não ditatoriais”, diz Alexandre Bez, psicólogo e especialista em relacionamentos. Ele destaca que muitas vezes falta o exercício da comunicação na vida do casal. Mas quando marido e esposa são capazes de firmar uma comunicação eficiente, não agressiva e com sinceridade no casamento, há um estímulo grande para a aproximação entre eles.

Comunicação não violenta

Foto: Alixann Loosle

Comunicação não violenta

“Os quatro pilares da comunicação não violenta são: observação, sentimento, necessidade e pedido”, explica Ellen. Segundo ela, esse é o caminho que vai permitir que o indivíduo se importe não só com o próprio bem-estar, mas também com o bem-estar do outro durante uma conversa.

Nesse sentido, é importantíssimo ainda que o casal tenha uma boa vida social conjugal. E isso vai além do jantar, cinema e da vida íntima, e esbarra, principalmente, na conversa e no entendimento de que o outro tem voz. Para isso, a dica do psicólogo é trabalhar em uma tomada de consciência individual, na qual os dois compreendem as próprias dúvidas, dificuldades e frustrações, e, depois, se dedicam a entender as do parceiro.

Alexandre destaca ainda que a famosa “DR” não só é bem-vinda, como é necessária. Mas ele garante que ambos precisam estar preparados para que o estresse da rotina e do momento não faça a conversa se transformar em uma briga de casal. A comunicação não violenta vai ajudar a não discutir já com o intuito de brigar. O que vai promover um diálogo real – e todos os benefícios que ele pode trazer.

Comunicação não violenta

Foto: J Photography

Relacionamento em harmonia

“A partir do momento em que se aprende a comunicar suas necessidades sem agressividade, você torna possível que a outra parte possa escolher atendê-las ou não”, diz Ellen. E isso não por uma imposição ou ameaça, mas porque o outro terá a chance de contemplar se está apto a suprir tal necessidade. Fato que vai contribuir para a manutenção de relacionamentos saudáveis e casais felizes.

Outro ponto importante, em meio a conflitos, é apostar em uma comunicação não defensiva. Diante de uma resposta agressiva do parceiro, o ideal, segundo a psicóloga, é tentar não reagir. “Apesar de ser difícil em alguns casos, esse é o melhor caminho. Uma resposta a uma comunicação violenta pode gerar mais violência, e se tornar um ciclo sem fim.”

Comunicação não violenta

Foto: Karina Maks

Comunicação não violenta: prática diária

O melhor jeito de colocar a comunicação não invasiva em prática no dia a dia do casal é seguir os pilares do conceito. Observe e se importe com o sentimento do seu parceiro. Tenha em mente que a necessidade do outro pode ser diferente da sua. “E se sentir que a situação está fora de controle, afaste-se e espere que a emoção acalme”, recomenda Ellen.

O segredo aqui é trabalhar para conseguir comunicar as suas necessidades de maneira assertiva, deixando de lado vícios como a ironia e o desdém. Por meio do diálogo, respeito e da comunicação não violenta, é possível construir uma relação não apenas saudável, mas também mais sincera e empática.

Como evitar discussões no namoro ou casamento?

Um conselho para o casal em crise é sempre estimular essa comunicação. “Uma discussão pode ser evitada se o diálogo funcionar bem em um relacionamento”, conta Marina Simas, psicóloga e sócia-diretora do Instituto do Casal. Então, conversar sobre o que está incomodando, como as inseguranças, os medos e as divergências de opinião, ajudam a prevenir a tão indesejada briga de casal.

Além disso, quando alguma atitude do parceiro lhe perturba, você deve conversar com ele sobre isso. Porém, antes de falar com seu companheiro, é importante estar de cabeça fria para não tornar o diálogo em uma discussão. Lembre-se: levantar a voz, xingar ou esbravejar não vai ajudar em nada na situação.

Quando você sentar para dialogar sobre o ocorrido, “é importante falar que, por mais que você entenda que o outro possa não ter tido a intenção, a atitude dele lhe machucou”, explica Marina. Essa comunicação é muito importante para que a pessoa saiba o que lhe magoa e não repita o ato.

Casal se abraçando enquanto cozinham juntos

Foto: Jen Huang

O que fazer depois de uma discussão?

Às vezes, você não sabe o que fazer depois de uma discussão com a namorada ou o parceiro. “Dependendo da discussão, é bom dormir e esperar a poeira baixar. A crença de que você precisa resolver a situação naquele momento pode piorar as coisas”, destaca a psicóloga Cláudia Puntel. É importante respeitar o seu tempo e também o do outro, quando o assunto é resolver problemas.

Então se você ainda estiver muito bravo no dia seguinte, tirar um tempo para si é essencial. Desse modo, a DR não se transforma em uma mega briga de casal. Lembre-se que mesmo se você permanecer muito irado ou magoado sobre uma atitude do parceiro, “jamais deve haver qualquer tipo de agressão, seja ela moral, verbal, psicológica ou física”, alerta a psicóloga Marilene Kehdi.

Os casais felizes devem praticar a empatia. Se colocar no lugar do outro é fundamental para não machucar mais seu companheiro. “Faz parte do dia a dia do casal entender, relevar, ceder, não impor, respeitar o tempo e o momento do outro”, afirma Marilene. Apenas com muito amor, respeito e confiança é possível manter uma relação saudável e duradoura.

Continue lendo: Briga de casal | Como evitar discussões no relacionamento

Sobre:

#
Marcella Blass

Fascinada por gatos e receitas açucaradas, Marcella Blass é formada em jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo e atua na área desde 2014. Entre um bem-casado e outro, gosta de escrever histórias sobre o dia a dia e decidir qual será o próximo lugar do mundo pelo qual vai se apaixonar.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Av. Dr. Chucri Zaidan 1550, 31º - São Paulo - CEP: 04711-130 - CNPJ: 08.762.226/0001-31 © iCasei 2007 - 2020