Bem casado não é tudo igual
Foto: Pinterest / Reprodução

Moda vai, moda vem – o brownie está aí para provar, não existe lembrancinha de casamento que faça frente ao bem-casado. Verdade que ainda falta a ele uma certidão de origem, mas a versão histórica dominante liga o doce a Portugal. No país ibérico teria surgido a receita que traz dois discos de pão de ló unidos por um recheio de creme de ovos. Seu simbolismo matrimonial está justamente na montagem: duas partes, o casal, ligadas por um compromisso. O ritual de distribuir o doce no fim do casamento diz respeito aos votos de sorte e prosperidade que os noivos recebem e compartilham entre os convidados.

No Brasil, o recheio mais recorrente passou a ser o de doce de leite (ou de leite condensado cozido lentamente). Entretanto, surgiram adaptações, como o uso de chocolate e de geleia de frutas. No Rio de Janeiro, a versão original, com recheio de ovos, parece ser mais procurada do que em outras regiões do país.

Em geral, os fornecedores nacionais entregam os bem-casados prontos para ir à mesa, em embalagens que vão das mais simples, feitas de papel crepom, às mais elaboradas, que levam tecidos como o tafetá. A espessura da fita também pode interferir muito no preço final, que costuma não variar de acordo com a quantidade encomendada. Há consenso entre os fornecedores de que o cálculo ideal para casamentos é o de duas ou três unidades por convidado.

A procura pelo doce como lembrança para outros eventos – nascimentos, formaturas e bodas de casamento – parece comprovar que a hegemonia do bem-casado (ou ainda bem-nascido, bem-formado, bem-unido…) está longe de terminar.

A seguir, selecionamos sete grandes referências entre os fornecedores de bem-casado de três estados: São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Tudo para deixar a sua festa ainda mais doce :-)

Bem casado não e tudo igual Graça souvenir
Graça Souvenir (Belo Horizonte, MG)
Graça Policarpo começou vendendo lembrancinhas e forminhas para doces, área que ainda faz parte do seu negócio. Ao perceber que muitas clientes encomendavam os bem-casados em São Paulo, decidiu criar a sua própria receita. Hoje, ela segue acreditando na produção artesanal de seus quitutes – sua cozinha não ultrapassa os 20 mil docinhos por mês. São usados cerca de 12 tipos de recheio. Além do tradicional, de doce de leite, há exemplares de limão-siciliano, brigadeiro, damasco, pistache (a unidade sai a partir de 3,30 reais). Sua equipe também produz versões míni, embrulhadas (2,50 reais) ou em pequenas cúpulas, com uma fruta em cima (6 reais). Além do tipo de recheio, o preço varia em função da embalagem escolhida – na Graça Souvenir existem cerca de 50 modelos.
Foto: Graça Souvenir/Reprodução
Bem casado não e tudo igual Graça souvenir
Bem casado não é tudo igual Lenir
Lenir Maia Gourmet (Belo Horizonte, MG)
A professora de artes plásticas Lenir Maia entrou no ramo de maneira inusitada: há dez anos, sua filha caçula ficou noiva e pediu a ela que preparasse algum quitute da festa de casamento. Para não negar o pedido, Lenir elegeu os bem-casados como presente. Fez cursos em São Paulo seis meses antes da estreia e, no grande dia, os elogios a inspiraram a fazer dos doces um negócio. Hoje, seus bem-casados estão entre os mais lembrados da capital mineira (a produção diária chega a 3 mil unidades). Não há muita margem para adaptações: o recheio é único, de leite condensado cozido lentamente em banho-maria. Varia apenas a cobertura. Ela pode ser tradicional, quando a massa é regada por uma calda fria de açúcar, com pedaços de amendoim ou a de churros, que ganhou esse nome por levar canela na calda. Custam a partir de 3,40 reais a unidade.
Foto: Lenir Maia Gourmet/Reprodução
Bem casado não é tudo igual Lenir
Bem-casado não é tudo igual Casal Garcia
Casal Garcia (Niterói, RJ)
Sediada em Niterói, a produção extrapola o Rio de Janeiro e aceita encomendas de outras capitais, como Salvador e Curitiba. O foco são os bolos de casamento, mas a fama da Casal Garcia também chega aos bem-casados. Além do tradicional, de doce de leite, há mais de dez recheios, como creme de ovos, ganache e chocolate. A linha chamada gourmet inclui pistache, macadâmia, geleia de damasco e amêndoas com ovos. Diferente da maioria das receitas, finalizadas por calda de água e açúcar, a massa de pão de ló preparada aqui é umedecida com manteiga. Noivas fit ou celíacas encontram versões de bem-casado sem glúten (4,50 reais a unidade).
Foto: Casal Garcia/ Reprodução
Bem-casado não é tudo igual Casal Garcia
Bem-casado não é tudo igual Elvira Bona
Elvira Bona (Rio de Janeiro, RJ)
Há mais de 20 anos, Elvira Bona figura entre as famosas doceiras do mercado de casamentos carioca. A oferta ultrapassa o tradicional bem-casado: fazem sucesso suas versões de bolo de rolo e croque, um tipo de bombom crocante que também funciona como lembrancinha. A versão tradicional de bem-casado custa a partir de 3,70 reais, mas também há outros dez recheios, a exemplo de doce de ovos, chocolate, maracujá, Ovomaltine, goiaba e damasco. Criado recentemente, o bem-casado de baba de moça leva o tradicional doce português à base de ovos, com um toque de leite de coco (3,90 reais a unidade). 
Foto: Elvira Bona/Reprodução
Bem-casado não é tudo igual Elvira Bona
Bem casado não é tudo igual Ana Cristina

Ana Cristina Bem-casados (São Paulo, SP)
Criada há 15 anos, a marca paulistana está entre as mais lembradas de São Paulo quando o assunto é bem-casado – são cerca de 25 mil unidades produzidas por semana. O casal Ana Cristina e Milton Tavares Câmara se dedica exclusivamente a um tipo de doce, o tradicional. No preparo da marca, o doce de leite une duas partes de massa de pão de ló assadas separadamente (para facilitar, alguns fornecedores cortam a massa ao meio na hora de rechear, algo que pode prejudicar a apresentação). Também não há qualquer tipo de processo industrializado. A escolha, portanto, só é feita entre os tipos de embalagem que podem envolver o doce: com a mais em conta, de papel crepom e fita de cetim número 1, a unidade custa 2,50 reais.
Foto: Fernanda Lenzi Fotografia/Ana Cristina Bem-casados

Bem casado não é tudo igual Ana Cristina
Bem-casado não é tudo igual Mariza Doces
Atelier Mariza Doces (São Paulo, SP)
A marca paulistana não é referência apenas em bem-casados, mas em toda seção açucarada da festa, do bolo aos docinhos. O comando do negócio, fundado há 54 anos, está atualmente com Angela Pereira e a segunda geração da família Chuairi.. Entre os bem-casados, a oferta de recheios e formatos é grande: exemplares de limão, brigadeiro, frutas vermelhas, damasco, goiaba são assados em versões míni (2,90 reais) e em forminhas de coração (4 reais). O tradicional, de doce de leite, custa a partir de 3,30 reais em tamanho regular. Depois de ir ao forno, a massa é embebida numa calda de água e açúcar. Todos os recheios são feitos artesanalmente na casa.
Foto: Atelier Mariza Doces/Reprodução
Bem-casado não é tudo igual Mariza Doces
Bem casado não é tudo igual conceição bem casados
Conceição Bem-casados (São Paulo, SP)
Tradicionalíssima, a empresa fundada por Conceição Amaral há quase 60 anos já está em sua terceira geração de administradores. A receita, no entanto, segue praticamente intocada: recheio à base de leite condensado e ovos e calda de açúcar para umedecer a massa de pão de ló. Cada unidade sai a partir de 3,80 reais. Badalada, a marca tem uma loja-conceito no Shopping Cidade Jardim, um dos mais luxuosos da capital paulista, e, apesar de manter a receita tradicional, participa de parcerias e edições limitadas. É o caso do sorvete de bem-casado criado com a Diletto, do bem-casado míni com recheio de brigadeiro da Maria Brigadeiro e até de eventuais parcerias com estilistas na criação de tecidos para as embalagens.
Foto: Conceição Bem-casados / Reprodução
Bem casado não é tudo igual conceição bem casados
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