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Além do vestido, florista, bufê e tantos outros detalhes que os casais têm de resolver antes da cerimônia de casamento, eles não podem esquecer o curso de noivos, obrigatório para quem casa na Igreja Católica e algumas outras religiões.

Mas não é preciso desespero, porque esse encontro – oferecido pelas igrejas, templos e sinagogas – é mais um aliado do que um inimigo do casal. Na vida a dois é preciso se adaptar à personalidade do parceiro, seus costumes, tradições familiares, expectativas e até mesmo a maneira como lidam com o dinheiro, ou a falta dele. “O jovem que não respeitar a autoridade dos pais, por exemplo, poderá não respeitar o casamento”, indica o Pastor Adriano Pedroso, da MMI (Marriage Ministries International), sobre a importância do curso para garantir a união do casal.

 

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 É preciso se preparar espiritualmente para o casamento. Foto: Shutterstock.

Como cada religião se organiza para passar os dizeres do Novo e Velho Testamento, o curso varia de acordo com o núcleo que o oferece. Nem sempre é exclusividade do líder religioso passar esses ensinamentos aos noivos, em muitos casos, ele fica responsável por ministrar os sacramentos. Os casais com mais tempo de união ou pessoas de influência na comunidade se voluntariam para comandar o bate-papo.

Independente disso, os assuntos abordados nos cursos pré-matrimônio, ou encontros de casais, como seus coordenadores preferem chamar, são universais: amor, respeito, relação com a família e com o cônjuge, sexualidade, convivência e finanças, um ponto importante e que pode levar à separação do casal se não for bem administrado. “Dou uma orientação geral sobre finanças para ajudar os noivos a não se envolverem em dívidas, principalmente aquelas referentes à festa de casamento”, ressalta o pastor.

 

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Grupo de casais ajudam a se preparar para os dilemas do casamento. Foto: Shutterstock.

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Como funciona
Na Igreja Católica, os encontros costumam começar com uma apresentação dos temas abordados pelos coordenadores, seguidos pelos círculos, uma oportunidade para trocas em que os noivos podem dizer o que acharam das palestras, e também dividir suas dúvidas com os outros casais na mesma situação e também com os mais experientes. Por fim, o encontro é finalizado com uma missa. “Este é um momento de reflexão, no qual os noivos podem dizer o que sentem”, diz Noemi Souza, que junto com o marido, José Carlos, há 10 anos ajuda a coordenar o curso de noivos da Igreja do Calvário, em São Paulo.

 

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 Dicas e ensinamentos para os futuros cônjuges. Foto: Arquivo.

Entre os judeus, além do rabino, uma pessoa respeitada pela comunidade e conhecedora das leis judaicas, pode ministrar o curso. A professora Miriam Markus dedica as duas primeiras horas das aulas à psicologia do relacionamento, além disso, ela também explica que a terapia de casal ou individual pode ser aconselhada pelo rabino caso haja necessidade. “Muitos casais acham que o casamento é um sonho e quando entram na realidade a situação pode se complicar”, reflete Miriam. “Cada um tem um modelo do que é família e é preciso muito jogo de cintura para criar uma terceira”, aconselha. O cerimonial do matrimônio – o que cada noivo deve fazer antes e durante a cerimônia, as músicas escolhidas – também é passado durante o curso.

Tanto entre os católicos como judeus, as conversas individualizadas com o padre ou rabino são permitidas, mesmo que o objetivo do curso seja um momento de troca com outros casais. Por outro lado, entre os evangélicos, o mais comum são as conversas particulares com o pastor, em vez dos cursos comunitários, embora existam congregações que ofereçam essa opção para os noivos. “Nós só tivemos uma conversa com o pastor sobre o que esperar da vida a dois”, diz Karina Destro Fabrizio, que se casou em uma congregação evangélica.

Experiência dos casais

Mesmo que não faça parte das exigências burocráticas para a realização do casamento, muitos casais decidem fazer o curso e se prepararem melhor para o futuro juntos. Para os recém-casados Daniela Medeiros de Freitas e Leandro de Freitas, o aconselhamento pré-nupcial foi uma opção dos noivos e foi realizado por um pastor evangélico, mesmo a noiva sendo católica. Para eles, a religião é um alicerce presente em suas vidas e ajuda a enfrentar as questões do dia a dia. “Em nossa conversa, o pastor foi explicando vários trechos da Bíblia e relacionando com o casamento”, relembra Daniela. “Um desses que lembro e faço todos os dias é o de orarmos juntos; o que aproxima o casal”, completa.

 

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 Sem distinção de religião, a conversa é o mais importante no curso. Foto: Shutterstock.

Além de ouvir as palavras do líder espiritual, os noivos têm a oportunidade de conversar com outros casais para trocar experiências e dividir dúvidas. Para Daniela, o que falta, às vezes, entre os casais não é falta de amor, mas a dificuldade na comunicação. “Conversar resolve tudo!”, enfatiza sobre a importância do aconselhamento.

Mas é preciso ficar atento caso essa não seja a primeira união de um dos noivos, uma vez que não são todas as religiões que aceitam participantes “de segundos casamentos” nos cursos. Noemi e o Pastor Adriano explicam que para os católicos e evangélicos, o divórcio não é aceito porque o casamento é um sacramento que só é dado uma vez. Segundo Miriam, no judaísmo o divórcio é aceito, mas não fomentado. “É preciso fazer aconselhamento com o rabino, e até mesmo terapia de casal antes, porque o casal pode até sair mais fortalecido desta crise”. Por outro lado, o casamento misto, em que uma das partes não é judia, é visto como desrespeito à religião da outra pessoa e portanto, não é permitido.

 

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 Sem medo de ser feliz, os casais se sentem mais preparados ao fim do curso de noivos. Foto: Shutterstock.

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Curso virtual
Para os responsávies pelos cursos e líderes religiosos, participar dos encontros presencialmente é uma etapa importante na construção de um casamento saudável. “No judaísmo o curso não é obrigatório, mas quanto mais preparado para essa etapa da vida o casal estiver, melhor”, aconselha Miriam, independente da religião, uma vez que as aulas tratam de temas universais.

A vida corrida pode fazer com os noivos optem por cursos on-line ou em DVD, soluções mais práticas e que se adequam melhor a suas rotinas atribuladas e à falta de tempo – pelo menos para aqueles que não vão se casar na Igreja Católica e que não dependem do certificado de conclusão do curso de noivos para a realização do casamento. “Os cursos on-line perdem um pouco do que é a proposta dos encontros”, analisa Noemi. “É uma oportunidade dos noivos trocarem vivências com casais mais experientes”, aconselha.

 

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 Curso online tem atraído os casais sem tempo. Foto: Shutterstock.

E é justamente a falta de tempo que faz com que muitos casais deixem essa parte dos preparativos para o final, indo na contra-mão da proposta. A indicação é que o curso seja realizado com uma média de seis meses antes da data marcada, explica o Pastor Adriano, “assim o casal tem um tempo para processar as informações abordadas”, comenta.

Fique de olho
As comunidades religiosas podem ou não aceitar que seus fiéis façam o curso em instituições religiosas diferentes daquelas onde irão realizar a cerimônia, por isso é importante consultar os trâmites exigidos pela congregação ou igreja escolhida.

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