Após o casamento, os recém-casados costumam viver em clima de lua de mel. Já para os pais, a sensação pode ser um pouquinho diferente – além do sentimento de “dever cumprido” e orgulho dos filhos, costuma haver uma grande mudança de rotina na casa e a falta dos filhos costuma ser sentida neste momento. O sentimento é tão comum que até ganhou um nome – síndrome do ninho vazio. Veja o que é e como as mães dos noivos, principalmente, podem superar.

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O que é síndrome do ninho vazio?

“A saída dos filhos produz uma mudança estrutural na família, e provoca um rearranjo nas relações familiares, rotina da casa, e nas atividades dos que ficam. Estas modificações podem ser desde simples cuidados que deixam de ser feitos (preparar as refeições, cuidar das roupas dos filhos) até situações mais importantes, como a reutilização do espaço da casa, a adaptação emocional e a organização financeira dos pais. Do ponto de vista psicológico, à medida que a idade avança, as pessoas tendem a se estabilizar, ficando mais apegadas ao lar e à rotina e, assim, tendo mais dificuldades para aceitar grandes mudanças”, explica a psicóloga Isis de León.

Segundo Suely Moliterno, psicotraumatologista (especialista em regressão), a síndrome do ninho vazio é o sentimento de luto quando pessoas queridas deixam o lar. “Isso pode gerar um vazio, um sentimento de tristeza, perda e até inutilidade”, afirma.

Suely expõe que não são todos os pais que passam por essa sensação, mas que é mais comum acontecer para aqueles que colocaram a criação dos filhos como prioridade da própria vida, sem ter objetivos mais amplos.

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Como amenizar?

Para Isis, o ideal é que os pais se preparem desde sempre para este momento. Ou seja, à medida em que os filhos crescem e se tornam mais independentes, os pais devem investir em novas atividades de seu interesse, reforçando o convívio social e procurando planejar um futuro a sós.

“Em primeiro lugar, os pais devem se conscientizar de que a saída dos filhos de casa é um processo natural e esperado (eles também fizeram isto, bem como seus pais e avós, etc). Devem se felicitar, por terem conseguido criar filhos com autonomia e capacidade para assumir responsabilidades e construir seu próprio lar. Por outro lado, é importante lembrar que a saída dos filhos não se trata de abandono dos pais, mas da expansão da família, com a chegada de novos membros (noras, genros, netos), e a possibilidade de criar novos laços de afeto que trarão muitas alegrias”, pondera Isis.

Suely recomenda que os pais sempre tenham propósitos de vida mais amplos e que se engajem em atividades – quando não o próprio trabalho, alguma atividade voluntária ou social. “É importante que eles tenham objetivos de vida a longo prazo, que eles pensem o que desejam fazer aos 70, 80 anos”, comenta.

Como o casal pode ajudar os pais?

Já por parte dos recém-casados, o ideal é assegurar, por meio de atitudes, que a relação de afeto com os pais permanece depois do casamento.

“Isto pode parecer óbvio, mas nem sempre é compreendido pelos pais. É comum que eles tenham receio de parecer invasivos se ficarem buscando a companhia constante dos filhos depois do casamento. Então cabe aos mesmos manter a proximidade afetiva, dentro de sua disponibilidade, seja por qualquer meio de comunicação que escolherem: visitas periódicas, almoços em família, programas em comum, telefonemas, redes sociais, etc”, propõe Isis.

Suely indica que se possível, antes do casamento, os filhos saiam de casa aos poucos. “Os filhos podem passar alguns dias na casa do noivo, por exemplo”, destaca.

Após o casamento, Suely aconselha que eles deem atenção aos pais, sem alimentar o luto. “Eles podem telefonar periodicamente aos pais, além de organizar jantares para os pais em casa. É importante que os pais sintam que a família aumentou e não se separou”, recomenda. Além disso, ela indica que os próprios filhos incentivem os pais a buscarem um propósito.

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Tempo de recuperação

De acordo com Isis, há um tempo de recuperação, que varia de acordo com o panorama de vida dos pais, e fatores como saúde física e mental, autonomia, rede de suporte social, etc.

“Estudos realizados em diversos países têm demonstrado que, após o período de adaptação, observa-se uma melhoria na qualidade de vida dos pais, principalmente os que ainda trabalham ou mantém atividades externas regulares”, esclarece. Suely afirma que este período de “luto” dura em média 60 dias, depois disso, naturalmente eles vão se recuperando.

Caso sejam percebidos sinais de depressão, como isolamento, falta de auto-cuidado (higiene, aparência, saúde), desmotivação, doenças recorrentes (como gripes, alergias, etc), principalmente em caso de viuvez ou separação (se o pai ou a mãe moram sozinhos), Isis recomenda que se busque ajuda psicológica.

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